uma estatua, o mar e uma conversa (pai e filho)

Eu sou Alex Brandon, mas antes de ser o engenheiro respeitado sou o marido e o pai de uma família linda. Quando conheci a Sara, a minha senhora, a alguns anos, ela era uma jovem linda com ideias de liberdade e sonhos de conhecer o mundo e também de ajudar os outros, não é porque sou casado com ela que falo isso mas a Sara é uma mulher incrível, imagine a pessoa mais doce, inteligente e comprometida com o bem comum, vi algumas vezes a Sara deixar de fazer por ela para fazer não por mim ou pelas crianças, mas por estranhos, por pessoas que jamais vimos de novo, coisas que me pergunto porque ela fez aquilo? Mas isso não quer dizer que ela seja menos mãe ou menos esposa responsável com a nossa família, alias nos dividimos tudo nessa casa, das dores as alegrias dos medos as certezas, e dos tombos aos maiores sucessos.
Eu vi que ela falou pra vocês sobre nossa casa aqui na enseada, bom você deve ter ficado achando que sempre moramos aqui, na verdade não. Eu nasci em Londres assim como ela também nasceu, moramos lá por um bom tempo, foi lá que nos casamos, depois mudamos para Portugal, depois para Veneza e por ultimo moramos em Los Angeles, temos uma ligação muito grande com o mar, e com a vontade de estar sempre viajando, ainda moramos em Madri na Espanha, somos quase cidadões do mundo. E em cada lugar desse que passamos deixamos algo de bom e trouxemos de ainda melhor.
Vi ainda que minha doce esposa falou a vocês que nossa família estava em um dia normal, não sei que parâmetro ela usou para determinar normalidade, somos pais de adolescentes, o Thor tem 16 e a Suzan, meu bebezinho, tem 12 são os dois opostos, a Suzan se parece mais comigo, mais calma, menos intempestiva um lago sereno, já o Thor é fogo nas veias, ele é a Sara sem tirar nem por, é tenho que tirar algumas coisas a Sara sempre pondera antes de fazer algumas, as vezes ela pondera outras ela estoura e deixa o mundo tentar juntar os caquinhos, mas é isso nela que me encanta, a espontaneidade dela, o jeito de tentar resolver sempre tudo, mesmo que não consiga nem metade.
Bom hoje é o primeiro dia que escrevo aqui nesse diário, mas espero que gostem de ler, somos uma família comum, ou tentamos ser acho meio difícil sermos comuns, um dia você vai entender.
Nosso dia começou calmo, eu levantei bem cedo pra pegar a Sara antes de sair pra o plantão, e também precisava deixar o Thor e a Suzan na escola, e ir pra Empresa, eu sou engenheiro ambiental responsável pelas docas que ficam aqui na enseada. É um lugar calmo e meu trabalho é bem simples cuidar para que nenhuma embarcação traga peixe do mar em época errada, ou derrame combustível no mar. Ainda bem que as pessoas aqui são muito conscientes, e tomam esse cuidado. Espero que trabalhando mais perto de casa as cosias fiquem melhores pra mim e pra Sara e pras crianças. Nosso filhos mais velho, o Thor, anda de namoro com a filha do Elias, meu cunhado, a menina é muito avoada ela não se dedica a nada, o Elias até tenta, mas não consegue fazer ela ter noção do mundo. É estranho ter alguém com 15 anos que só vai a escola no dia que quer, ainda mais filha de um dos caras mais corretos, responsáveis e íntegros que já conheci.
Deixei os dois na porta da escola e vim para o meu trabalho no escritório, até agora tudo bem, nenhum megalodron (monstro maritimo parecido com uma baleia jubart mas bem maior) emergiu, ou nenhuma onda gigante se formou… estou tranquilo quando batem na porta:
- pode entrar.
- e ai cunhado?
É meu cunhado Draco, na verdade ele é casado com a minha cunhada Luz:
- como vai Draco?
- indo bem meu amigo. Escuta eu to vindo da marina agora e tem uma coisa estranha lá.
- e o que é?
Me ajeito na cadeira:
- um dos barcos de pesca chegou com uma estatueta do mar. É pequena pouco mais de 30 centímetros, e uns 10 de largura, é uma sereia linda, e cara na boa é verde, eu não sou especialista em pedras, você sabe só sou fiscal de pesca, mas aquilo alí é jade pura. Eu achei que você iria querer ver.
- claro que sim Draco eu vou lá ver sim, e quem sabe não é alguma peça importante pra historia da Enseada Formosa.
- ou um tesouro de algum pirata que naufragou por aqui algumas centenas de anos.
- ai tu viajou feio cara. Piratas?
- ue? Eles existiam Alex e ainda existem. Só não são mais como eram.
- é eu sei, semana passada tivemos um caso de um barco que foi sequestrado a oeste de Três Amores isso é bem longe daqui ainda bem. Então vamos? Quero ver esse negocio de perto.
Pego meu colete e saio apressado, ando rápido, e olho para o relógio, é cedo só preciso ir pegar aqueles dois na escola depois das 11 ainda é 8:30, o caminho é curto mas vamos de carro para chegar rápido, um dos pescadores me entrega a peça é realmente jade, uma belíssima escultura em jade, viro-a de ponta cabeça mas não vejo nenhuma inscrição a única coisa que reparo é que os olhos parecem piscar, não são de pedra como o resto da estatua. Só impressão por incrível que pareça os artistas mais antigos eram mais habilidosos que os de hoje quando se trata de detalhes:
- é uma bela peça, vou levar pra o instituto marítimo e pedir pra Milla ver o que descobre, lá eles tem mecanismos para descobrir. O senhor não viu mais nada diferente na rede quando veio a estatua?
- não senhor seu Alex, e vi sim. Havia um brilho diferente na água onde ela estava e os peixes pulavam como se estivessem assustados.
- um brilho como?
Pergunto intrigado com a descrição que o homem fez do cenário.
- um brilho, parecia que o sol estava dentro da água.
Draco diz:
- pode ser apenas o relexo do sol batendo na pedra, o jade reflete muito bem a luz. A minha duvida é, como uma peça de jade veio parar no nosso mar? Não há registro dessas pedras em nosso país.
- como você falou, - começo a sorri- pode ser um tesouro de algum pirata, não podemos descartar nada. Mas a Milla vai estudar e me diz o que é. O senhor lembra exatamente onde essa estatua veio na sua rede?
O homem me diz que sim e se oferece para me levar até o lugar exato, informo a ele que assim que voltar do laboratório vou come ele quero mergulhar naquele lugar e ver o que acho. Deixo Draco fazendo seu trabalho e vou ao laboratório ver o que a Milla sabe dizer. Chego lá e encontro ela com um monte de crianças:
-eu acho melhor voltar outra hora.
- não Alex, diz ai o que foi?
- os pescadores acharam essa estatua no mar. O que será que você consegue me dizer sobre ela?
Milla pega a estatua e olha rapidamente e diz:
- é a imagem de uma deusa antiga, já adianto isso seria mais fácil se você levasse pra unidade de historia na escola, eu não é minha especialidade artefatos históricos. Mas posso examinar, esses olhos, não parecem pedras…
- por favor veja o que pode fazer. Essa coisa apareceu nas redes dos pescadores. E preciso saber pelo menos de que lugar ela veio. Então examina ai e me avisa, to no celular.
- certo meu amigo. Como está minha irmã?
- a Sara tá bem, mas já sabe… ela tá uma arara com o Thor… mas isso é normal… tento agir normal. Mas nossa família você sabe tá longe de ser normal.
- não diz isso Alex… que família é normal ?
Sorrio e saio apressado já são quase 9:30 preciso ir na área onde o pescador achou a estatua, mergulhar e verificar o que tem lá. Aquela luz que ele falou, abro a porta do escritório e me deparo com Thor sentado na cadeira a minha frente:
- o que você tá fazendo aqui?
- o professor faltou, e eu vim pra cá.
- e sua irmã?
- ela vai ter aula até as 11:00 eu liguei pra o senhor mas não atendeu ai vim pra cá. Só podia- ele pega meu celular- aqui está, o senhor esqueceu ele. O que aconteceu?
- os pescadores acharam uma estatua no mar. E eu fui ver. Realmente esqueci.
- estatua de que?
- a Milla falou que é de uma Deusa antiga. Ela ficou examinando.
- se tivesse com o celular… eu ia poder te ajudar e pesquisar na internet…
- internet?
- é pai ue… nunca ouviu falar?
- já mas em que ela ia poder me ajudar?
- com a foto posso rastrear quem foi, de onde veio e se foi perdida ou roubada.
Começo a sorri.
-Na hora vou buscar sua irmã e levo você e ela pra casa.
- pai, eu posso passar o dia com o você?
Começo a pensar o que aconteceu na escola e me pergunto o que ele fez por lá que está se escondendo comigo, mas vou dar um voto de confiança pra o meu filho:
- sua irmã eu e você juntos. A tarde vou ter que ir mergulhar onde acharam a estatua, sua irmã detesta mergulhar. Você sabe disso.
- deixa ela na casa do tio Theo, ou com vô karlaio. E vamos só nos dois. Quero passar um tempo com você. Faz tempo que não temos um programa só de homens. Lembra quando estávamos em Los Angeles?
Começo a me preocupar mais um pouco, algo está errado de verdade mas não vou perguntar, vou deixar ele fazer do jeito dele, deixar ele falar se quiser. Só estou estranhando ele ter vindo pra cá em vez de ter ido passar o dia com a Lilandra, eu no lugar dele não ia trocar um dia todo com a Sara por um dia com o meu pai num barco em alto mar. Tem algo errado.
Ligo pra o meu pai e lhe imploro que fique com Suzan por um dia, ele diz que fica com a neta, já que ela é única neta dele ele fica com ela.
Chamo o Thor e levo ela pra casa do meu pai e deixo ela lá:
- sua mãe vai me matar quando souber que deixei a Suzan na casa do meu pai e levei você comigo, ela tava contando que eu ia fazer o almoço e fazer vocês comerem tudo saudável, e na casa do meu pai…
- eu digo que pedi pra você.
- teu filme não tá mais nem queimado com a sua mãe, melhor dizer que foi ideia minha e que o meu pai tava com saudade da Suzan e pronto. Se bem que no diário ela vai ver isso…
(AMOR PULA ESSAS ULTIMAS 10 LINHAS POR FAVOR E SE VOCÊ JÁ LEU ME PERDOA).
Almoçamos na rua, algo bem leve e saudável como ela sempre exige que seja. Tremo só de imaginar se ela vê o que a gente comeu, mas juro que foi só um sanduche com suco, não foi refrigerante. Demoramos um pouco e vamos ao barco:
- então pai, foi aqui?
- sim, pelas coordenadas do pescador sim é aqui.
- vamos descer?
Afirmo que sim, ponho minha roupa de mergulho ele a dele, verifico os cilindros de oxigênio e descemos, a água é cristalina, e o mar é calmo, o mais incrível não vejo peixes, tem uma estrturra abaixo de nos, aprece um barco, é um recife de coral. Algo parecido com isso preciso chegar mais perto. Faço sinal para ele descer comigo vamos juntos parece um navio antigo, tem moedas no fundo do barco, pego uma delas e meu filho outra, ele aponta para uma estatua maior idêntica a que o pescador achou, ela está na proa do barco, meu filho me surpreende com uma câmera sub aquática e faz varias fotos da embarcação, da estatua, e de um baú, tento pegar mas é pesado demais ele me ajuda e puxamos para a superfície.
Quando chegamos ao barco meu filho sorrindo diz:
- a água daqui é mais quente que a de Los Angeles né pai?
-sim e mais límpida também, dá pra ver tudo facilmente. E esse baú? O que será que tem ai?
- provavelmente mais moedas. Alias nunca vi nada como isso pai. Parece que ela foi jogada lá agora a pouco não tem musgo não tem alga, nem limo pai.
- sim, é muito estranho mesmo.
Começamos a conversar e me sento a seu lado no barco:
- pai. Porque a mãe odeia a Lila tanto?
- não é odiar meu filho é que… a mãe dela fez muito mal.
- como assim?
- sua mãe eu seus tios, meus pais, nascemos em Londes e fizemos faculdade lá. E foi lá que sue tio conheceu a Pricila, a mãe da Lila, a família dela foi o motivo de termos saído de Londres.
- porque?
- eu e sua mãe namoravamos e seus avós sabiam, todos sabiam, ai um belo dia, seu tio chega a Pricila e diz nos vamos casar em duas semanas. Isso foi uma confusão daquelas. O Tio Beto (pai da Sara) ficou louco. Porque seu tio estava largando a faculdade pra viver uma aventura com uma pessoa que ninguém sabia de onde tinha vindo.
- o tio Elias fazia faculdade?
- é ele tinha uma carreira promissora na areá de engenharia civil, já tinha até um estágio numa empresa famosa lá de Londres, e estava largando tudo.
- não dá nem pra imaginar o tio Eli fazendo faculdade. E depois disso?
- bom. A família dela não queria o Eli, eles eram da Irlanda e digamos não estavam muito corretos, o pai dela mexia com trafico de seres humanos, o meu pai era amigo de um investigador de policia e descobriu isso. Alertou o tio Beto todo mundo ficou preocupado, não no Eli ser traficado, mas no Eli ser preso, eles estavam sendo procurados pelos dois lados, pela policia e pelos concorrentes vamos dizer assim.
- mesmo assim o tio casou com ela?
Respiro fundo e abro o macacão de mergulho até a barriga e retiro as mangas e continuo:
- um dia seu tio fugiu sumiu, ele desapareceu, a noite a dona Senhorinha foi ver ele estava na cama pela manhã não tinha mais nada, nem ele nem roupa nem dinheiro nem nada. Ela entrou em desespero. Chamaram a policia, foi um caos, passamos messes buscando seu tio, mas ninguém sabia dele.
- imagino como a vovó ficou…
- eu casei com sua mãe, a Luz já havia casado com Draco e o Theo ia casar, na véspera do casamento do Theo, seu tio apareceu sozinho na nossa casa pedindo ajuda a sua mãe. Ele estava com a Pricila ferida, ela tinha tomado um tiro e estava quase sem sangue. Sua mãe tratou dela e eles mais uma vez sumira. Seu tio casou, e ai começaram os ataques.
- eu ouvi o vô falando disso. Desses ataques.
- tentaram por fogo na casa do seu avô na nossa. Tentaram matar sua tia. Ai fomos embora de Londre.
- e onde entra a mãe da Lila?
Respiro fundo e solto o ar devagar:
- os ataques eram por que os inimigos da família dela queriam que a gente falasse onde ela estava. Depois disso começamos a fugir feito loucos, pelo mundo.
- e quando foi que ela morreu?
- o Elias apareceu 3 anos depois você já tinha nascido tinha mais ou menos um ano, com a menina nos braços, batendo na nossa porta dizendo que era tudo que tinha restado. Sua mãe acolheu ele e a menina, um belo dia, pra varear, os tios da menina chegaram e levaram ela na calada da noite, nos não sabíamos mas o seu tio sim onde ela estava. Foi ai que tudo foi revelado. Seu tio sabia exatamente onde eles estavam e a Pricila morreu nos braços dele depois de dar a luz a Lila no meio da estrada e tomar um tiro. O resto da historia você sabe. Anos depois eles voltaram e entregaram a menina e sumiram de novo. Não sei se eles vão voltar, nem se seu tio sabe onde eles estão.
- a minha mãe tem medo que eu faça o mesmo que o tio Eli?
- também. Thor, pra todos nos, o mais importante é a família, nos somos as pessoas que temos. Sozinhos nos somos fracos, mas juntos somos invencíveis. Lembra de Portugal?
- lembro sim. Eu …
- você precisa de tempo pra entender tudo isso. Eles são perigosos. Sua mãe tem medo que venham atrás de você. Estamos em paz.
- mas é a família da Lila.
- não deles, mas de quem vem atrás deles. Entenda é perigoso. E nem eu nem sua mãe queremos ter que procurar você pelo mundo, juntar os caquinhos que sobrar de você.
Meu filho, me abraça forte e chora soluçando, tenho a ligeira impressão que ele ainda me esconde algo. Mas não vou perguntar nada. Falei o que ele queria saber:
- tudo isso pra sua mãe foi muito forte, você sabe da ligação dela com o Eli, eles são irmãos gêmeos, ela sentia cada aperto no coração, parecia que ela tava correndo com ele fugindo com ele. Ela sofreu muito. Ela só não quer que você tenha o mesmo futuro.
Meu filho baixa a cabeça e suspira:
- eu entendo pai. Eu gosto da Lila, amo demais ela. Mas… eu juro que não vou fazer loucura alguma por ela. Se ela me quiser é com a família.
- eu espero que seja verdade, sua mãe não iria aguentar, pense nela, na sua irmã, no seu avô que você tanto ama.
Ligamos o barco e voltamos pra terra, passo na casa do meu pai pego a Suzan e vou pra casa. Faço o jantar os meninos riem e o Thor diz que via pesquisar sobre aquele barco que vimos, digo que faça o que puder de melhor.
Deito na cama e olho de lado o vazio, minha morena não tá aqui. Como queria contar pra ela o dia de hoje, deixo as crianças dormirem pego o carro e vou ao hospital, ela está no refeitório tomando um café:
- o que aconteceu? Cadê o Thor, cadê a Suzan? Alex…
Abraço-a forte e beijo sua testa:
- estão em casa dormindo. Vim só te dar um beijo, e dizer que te amo, tal qual quando te conheci. Acho que um pouco mais. Minha morena.
- hooo moreno…. Me deixou preocupada. Chegar assim…
Abraço-a mais uma vez, o interfone chama seu nome ela tem que ir. E eu volto pra casa, na certeza que amanhã cedo minha menina seria vai voltar pra o seu sonhador.
Mais um dia termina e o sol começa a brotar do outro lado do mar. Que aventuras viram? O que meu filho vai decidir? Tudo isso só o tempo dirá. Mas o que ele me diz é que não há nada que uma boa conversa sem reserva nem informações escondida possa resolver.
E família normal, não existe, como dizia um velho amigo de medico e louco todos nos temos um pouco.

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